sábado, 1 de agosto de 2009

Câmara com Paredes de Vidro (17-04-2008)

Não vai longe o tempo em que o pai espiritual do PCP , Álvaro Cunhal, numa operação de charme para camuflar a “ditadura do proletariado”, sua vitalícia “profissão de fé”, proclamava o seu partido com paredes de vidro.

Provavelmente tinha lido algo sobre abelhas e sobre o investigador que, para estudar a vida intima daqueles insectos, construiu uma colmeia com paredes de vidro. Engano seu...as abelhas revestiram as transparentes paredes com cera, impedindo qualquer olhar curioso. Engano nosso...o PC com paredes de vidro continuou opaco e sem abertura.

Igual é a transparência dos municípios onde o PC é maioritário e pode impor a sua filosofia política como Palmela, que há 30 anos se rege pela batuta comunista numa música morna e dolente do faz de conta. E quando algo ou alguém tenta espreitar as insuficiências, vêem as entusiásticas tiradas dos “Orçamentos participados”, “semanas das freguesias”, fóruns, debates e outras acções, boas nos pressupostos mas frequentemente usadas como a tal cera.

Quando assumimos o nosso mandato, espreitando para dentro da câmara/colmeia denunciamos: há falta de rigor orçamental, transparência de gestão e participação dos munícipes. De imediato veio a cera das abelhas políticas do PC: “que os dinheiros eram contados ao tostão”, que o planeamento era a sua pedra filosofal, que os munícipes eram a sua verdadeira obsessão e que de tudo isto ressaltava o harmonioso e maravilhoso crescimento do concelho, com preocupações com todos, especialmente com aqueles que tinham mobilidade reduzida... até ganharam uma bandeira de prata neste campo !!!

Mas...ele há sempre um mas, para concorrer a subsídios europeus ou para justificar acções de implementação obrigatória há que usar a verdade.

Assim aconteceu com os termos de referência dos relatórios ambientais onde, repetidamente, se lê“...o crescimento do aglomerado urbano nem sempre foi acompanhado de mecanismos de planeamento e ordenamento eficazes...prejudicando a constituição e coerência... dos espaços públicos e para equipamentos...cujo déficit urge colmatar.”

Assim se pode ler na candidatura ao projecto “Plano municipal de promoção da acessibilidade ”, de onde transcrevemos isto: “Em todos os perímetros urbanos identificados verifica-se...que existem níveis de inacessibilidade razoáveis que se espelham ...na falta de passeios, na ausência de passadeiras, na desorganização do mobiliário urbano e sinalética...que fazem deste espaço um lugar de elevada dificuldade de mobilidade”.

Afinal tínhamos razão: há falta de planeamento e mobilidade reduzida.

E, quanto à participação dos munícipes, avaliemos a elevada abstenção em todas as eleições autárquicas do concelho ( cerca de 45% em média ) o que tem permitido ao PC ser eleito, há 30 anos, com 25%, em média, dos eleitores, não se vendo qualquer acção municipal para alterar este cómodo quadro eleitoral.

Afinal o PC e as organizações que controla não têm paredes de vidro...o resto é cera da propaganda para tapar os longos anos de hibernação política em Palmela.

José Braz Pinto

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