Afazeres profissionais têm-me afastado das conversas com os leitores do JPN. Os últimos tempos, embora sem surpresas, trouxeram à tona as fragilidades e a falta de ética que corrompe níveis importantes do sistema de organização das sociedades, político, económico e financeiro, dirigidos sem regras, sem escrúpulos e sem qualquer tipo de respeito pela dimensão humana. Contudo e por outro lado também coexistem sinais de esperança e mesmo de afirmação de mudança, comentados com fervor por hipócritas (quase todos), que hoje aplaudem o que há poucos anos condenavam, a necessidade de diminuir a força dos mais fortes sobre os mais fracos e do desenvolvimento com regras. Nessa altura estiveram ao lado da intolerância e da guerra, defendendo que só pela força e recorrendo à mentira seria possível resolver problemas complexos da vida dos homens em sociedade e assim nos conduziram ao mundo desigual e injusto em que estamos, mas que, e mais uma vez, precisamos de fazer renascer.
Há então que encarar grandes desafios, ou melhor, desafios diferentes na forma de nos entendermos neste comum planeta azul. O Valor das Ideias tem, como nunca devia ter deixado de ter, de comandar pela ética e pela responsabilização, em primeiro lugar a política como processo de estar ao serviço do encontrar soluções para os problemas que afectam as comunidades e propor soluções para a inovação e o desenvolvimento integrado, impondo limites aos desmedidos e irracionais ambições dos interesses dos sistemas económicos e financeiros, concentrando esforços na qualidade da vida e no combate às injustiças e desigualdades.
Talvez estejamos perante uma oportunidade de encontrar meios para qualificar o regime democrático aumentando o envolvimento dos cidadãos com a política exigindo para esta novas práticas:
- baseadas em valores e causas, debatendo ideias e encontrando novos caminhos
- convicção, sinceridade e credibilidade nos objectivos que se defendem
- envolvendo a comunidade em projectos em que os cidadãos se revejam
- balizadas por princípios éticos irrepreensíveis no desempenho de cargos públicos
- relevando o mérito
- promovendo a solidariedade
- penalizando a irresponsabilidade e o incumprimento de compromissos
- falando verdade, informando, comunicando e honrando promessas
- gerindo com rigor os dinheiros públicos
- prestando contas de modo transparente
Não podemos pactuar com a inimputabilidade e a irresponsabilidade de muitos e a apatia de outros. Estes comportamentos matam o Estado de Direito e comprometem a Democracia e fazem perigar a Liberdade.
Acredito que só a sobrevivência do Socialismo Democrático, pelos seus princípios de tolerância e de solidariedade pode ter a força suficiente para inverter este destino triste que não tem de ser inevitável. Depende de nós, e muito, lutar contra o conformismo. Como sempre tem sido, está também nas nossas mãos a capacidade de tudo fazer para mudar.
Carlos Martins, Deputado do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Palmela
(Artigo publicado no JPN)


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