Palmela é rural e é também suburbana, é memória e tradição, mas também é presente e deve ser cada vez mais futuro.
Palmela um território desalinhado e desordenado a que tem de ser dada unidade e coesão, com uma forte componente rural que convive com uma componente suburbana significativa e com um dos clusters paradigmáticos da transformação que o mundo está a atravessar, o da indústria automóvel.
Palmela, que sentimos muitas vezes sem rumo, sem estratégia e sem visão de futuro, e que tem em si muitas das potencialidades e muitas das fragilidades do nosso país, pode afirmar-se como um laboratório do futuro, um laboratório social do Portugal que queremos e vamos ser capazes de inventar. Com uma grande peso de uma população sénior, cuja memória e saber da vida é necessário potenciar, e uma juventude cheia de energia, com uma perspectiva de vida cosmopolita, mas muitas vezes sem nenhuma perspectiva do futuro, Palmela tem de ser capaz de criar condições para a emergência das potencialidades de cada cidadão, dos seus projectos e dos projectos das diferentes estruturas ou associações comunitárias.
Ligar, criar coesão, revelar o que está subterrâneo, o que incentiva e potencia a descoberta, o desenvolvimento e a afirmação da criatividade das pessoas, de cada pessoa é o papel que queremos para a cultura. Se ao nível da economia falamos na necessidade de criar projectos estratégicos, pensados a médio e longo prazo, que tenham sustentabilidade, também na cultura, ou especialmente na cultura enquanto memória e futuro da identidade de uma região, essa necessidade de estruturar o planos e projectos é ainda mais premente. Uma dimensão cultural que deve passar por todos os poros e interstícios da vida quotidiana, que seja, ao mesmo tempo, o espaço de encontro connosco e de criação das condições para a descoberta e a invenção do futuro, de múltiplas saídas para a crise, assumindo-se assim como a bússola duma sociedade ou o seu GPS social, para que a cultura seja um elemento capaz de mudar, ao mesmo tempo, a sociedade e a vida.
Para que isto seja possível parece-me importante trabalhar em cinco direcções:
1 - Abertura aos outros – os espaços culturais de Palmela devem receber o que de mais significativo há na produção artística e cultural portuguesa e internacional;
2 – Apoio e potenciação das múltiplas capacidades criativas que aqui existem, nomeadamente ao nível da cultura popular, bandas, ranchos e teatro amador, apoiando o que já existe e incentivando a criação de manifestações que ligam as várias colectividades, promovam novas formas de expressão, mobilizem as pessoas e a sua criatividade e potenciem espaços de convivialidade.
3 – Dar espaço à expressão da cultura urbana, nomeadamente ao nível dos jovens, dos seus anseios, das suas preocupações, criando espaços para que toda a sua energia e a capacidade de apostar no futuro seja transformada duma forma criativa;
4 – Articular os diferentes projectos com as estruturas artística profissionais instalados em Palmela, assumindo-as não como um fardo mas como uma mais valia;
5 – Criar um Fórum Artístico Permanente das Temáticas Sociais sobre as novas formas de cultura, onde se cruzem as plataformas Web de troca, divulgação e contaminação de ideias, com um fórum artístico permanente que seja capaz de transformar as ideias em espectáculos informais e permanentes. Aqui a cultura pode e deve assumir-se como um efectivo sismógrafo social, mostrando que é um instrumento estratégico fundamental para a melhoria da vida quotidiana e para encontrar sentidos que nos mobilizem para a invenção/construção dos futuros possíveis.
Carlos Fragateiro


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