quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Câmara que mete água (em 01/09/07)

É comum os automobilistas irem às estações de serviço remendar o pneu furado.

Chegados lá, desmontada a roda, a câmara é cheia e mergulhada numa tina para localizar o orifício de onde se escapa o ar, ou seja, uma câmara de ar que o perde dentro de água.

O estranho é ter uma Câmara, neste caso a de Palmela que, rodando há 12000 dias(33 anos a 365 dias)sobre as estradas do Partido Comunista(umas negras pela falta de perspectiva e outras lamacentas de processos menos claros), acaba rota e a meter água.
Em gíria portuguesa mete água quem não resolve ou resolve mal os problemas e aí, o executivo é exímio.

Desde um centro histórico onde sistematicamente se prevêm melhoramentos, sempre adiados, até às acessibilidades onde imperam mais de 500 Kms de asseiros que esperam tratamento e onde obras, como a 5 de Outubro da Quinta do Anjo, andam bailando nos orçamentos participativos(melhor, imaginativos), há mais de cinco anos. Dizem que é agora. De tanta promessa falhada ficamo-nos como S.Tomé, “ver para crer”...

Mas tudo isto passa por um planeamento medíocre, onde se permitem crescimentos urbanísticos mais ou menos “ad hoc”, já que não existem planos de urbanização (PU) nem planos do pormenor (PP), sem ter em conta a capacidade ou previsibilidade de ampliação a curto prazo ,de equipamentos e redes (saneamento e águas).

Pegando nestas últimas, a Câmara de Palmela, furada como vimos, consegue fazer o impossível, meter água perdendo água. Parece esquisito mas é simples.

Canalizações antigas, mal planeadas e executadas, obras particulares insuficientemente fiscalizadas, somadas a condições de terrenos mal consolidados ou de estrutura propicia à criação de falhas internas, levam a constantes perdas de água na rede pública.

Apesar da nossa insistência ainda não nos forneceram dados referentes às captações e consumos que nos permitam avaliar a globalidade das perdas.

Fiquemo-nos portanto pelos 27 casos de particulares que, estranhando consumos exagerados, constatam roturas e dirigem-se à autarquia solicitando o perdão da taxa de saneamento referente à água perdida.

São poucos em número mas, em 2 anos de mandato, que já levamos, contabilizamos a perda de 9907 m3 de água. Isto é o que se vê, ou por outra, o que se sabe. E o executivo reclama-se defensor do ambiente...
O que seria se o não fosse?

Ora diga lá Sr. Leitor, se esta Câmara esgotada de tanto rodar pelas mesmas estradas políticas não está a perder pressão, e a meter água?

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