quarta-feira, 29 de julho de 2009

Abril...Abril..(17-04-2008)

Abril das contradições...Abril das emoções.

Na campanha turística do antigamente, julgando-se que o sol primaveril andava de mãos dadas com o “estado novo”, alteraram a bonita canção de “Coimbra” para a afrancesada “Abril au Portugal”. O Povo, esse continuava a acreditar mais no seu dito de “ Abril águas mil”.
Até que veio a alvorada “e depois do adeus”, bêbado de alegria “ o povo foi quem mais ordenou dentro de ti ò cidade”.

E novamente vieram as contradições:
Abril amado pelos que esperaram 40 anos pelo sol da Liberdade, Abril odiado pelos que não queriam que o tempo passasse, querendo continuar a viver no ontem.

E novas contradições:
As armas mortíferas passaram a ter flores. Os exércitos, normalmente opressores, lutaram pela liberdade e os ditadores fugiram apressados. E o povo juntou-se às forças armadas e já não se sabia se o povo era o exército sem farda ou se o exército era o povo fardado, todos empunhando o cravo encarnado.
E os ricos, medrosos, quiseram parecer pobres e os pobres quiseram experimentar alguns prazeres dos ricos. E alguma igreja, esquecida de defender a igualdade pregada por Cristo, apoiou os opressores e ditadores.

E vieram as emoções:
Alguns julgavam que a igualdade e felicidade se conquistava mudando de ditadura. Passava a ser a ditadura popular...a ditadura do proletariado. Outros fizeram do Socialismo um saco tão largo que nele cabia desde o dito até à “democracia cristã”, passando pela pseudo social-democracia.
Mas o povo defendeu-se... O mesmo povo que exigiu a libertação dos seus filhos presos pelo pecado de pensar, apoiou o socialismo democrático, a constituição e a liberdade sindical.

E o exército libertador, pouco habituado a governar mas amadurecido nos pensamentos de uma guerra injusta e fratricida, juntou-se aos poetas e pensadores e juntos proclamaram a liberdade como mãe da democracia e, no caso português, os três preceitos a cumprir – os 3 Ds.
Descolonizar – porque não pode ser livre um povo que não reconhece a liberdade dos outros povos.
Democratizar – porque não pode haver liberdade se não se der o poder ao povo.
Desenvolver – porque só pode ser livre e democrático um povo desenvolvido e culto. Porque só se pode distribuir a riqueza que se cria e para ciar riqueza é preciso desenvolver.

E novamente vieram as contradições. Numa bebedeira de liberdade queria-se tudo já. E vieram as dificuldades e os sacrifícios necessários para corrigir percursos, ganhar produtividade e acelerar o desenvolvimento.

E neste Abril adulto, na fase de ouro da sua maturidade, há que completar o último D sem perder o segundo.
Sacrifícios sim, se for para melhor e igualmente repartidos. Só assim poderemos ter “em cada esquina um amigo e em cada rosto igualdade.

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