Acabou-se a euforia das Festas das Vindima, monopolizadora, por uns tempos, das atenções e preocupações dos Palmelenses. Agora, há que fazer balanço e pensar no futuro, temporariamente ofuscado pelo brilho das luzes.
Desde que aceitamos defender, na autarquia, um programa que sujeitamos ao sufrágio do Concelho, chamamos a atenção para o vinho e a sua festa e para a defesa dessa riqueza autóctone e símbolo de Palmela. A Festa das Vindimas tem de ser, cada vez mais, a festa da vinha e do vinho e cada vez menos a Feira dos concertos, mais ou menos eruditos, mais ou menos pimbas.
Dissemos isso na imprensa publicando o artigo “In Vino veritas”, a 1/12/06, no 1ª Página. Dissemos isso quando interviemos, antes da ordem dos dias 1/3/06 e 4/4/07.
Dissemos isso quando tentamos fazer aprovar uma moção-recomendação que o PCP, não quis votar contra, porque estava de acordo com o essencial mas, também não quis votar a favor porque, essencialmente, a proposta vinha da oposição.
Acabou pedindo para retirar a proposta a troco de uma conversa com a Associação das Festas, que nunca se realizou, provavelmente porque não havia vontade política para a realizar...Velhas técnicas do PCP. Aceitamos retirar a moção...velhas ingenuidades do PS, escrevendo às Adegas e Organizações, ligadas ao vinho, exortando-as a apoiar e exigir que a sua causa fosse bem visível na Festa das Vindimas.
Ouviram-nos. A Associação de Festas que nos dizia ser difícil mobilizar os produtores e vinicultores, arregaçou as mangas e mobilizou. As organizações disponibilizaram-se. Os vitivinicultores apareceram ,intervieram e colaboraram.
Mais de uma dúzia de vitivinicultores fizeram-se representar com pavilhões que deveriam ocupar um lugar mais nobre e visível. Fez-se uma introdução à prova dos vinhos, onde participaram cerca de 40 interessados. Fez-se um debate sobre o futuro da viticultura, onde estiveram presentes representantes do Ministério da Agricultura, da Câmara Municipal , da Comissão Vitivinícola Regional, da CAP e da AVIPE, ela própria organizadora do debate, e mais de 100 participantes.
Afinal tínhamos razão... Os actores da vinha, e são milhares se pensarmos desde o trabalhador do campo até ao comerciante de vinhos, estão interessados em fazer ressaltar a sua riqueza, tentando defende-la dos perigos da concorrência, quer ao nível nacional e europeu, quer ao nível mundial, onde os novos países vitivinícolas, como o Chile, ameaçam com preços baixíssimos que levantam imensas preocupações e interrogações.
Cheios de razão, apagadas as luzes da festa, não agradecemos aquilo que é uma obrigação... Diremos como o pobre menino a quem deram um bolo e perguntaram o que se diz...QUEREMOS MAIS.


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