sábado, 1 de agosto de 2009

A Dança dos Descontentes (13-03-09)

Corria o ano de 1977. Na Assembleia da República, o meu amigo Vítor Louro, militante activo do PC, presidente da Comissão de Agricultura, sabendo-me descontente, veio instar comigo para que não saísse do PS. Era necessário lutar dentro das estruturas políticas, por um verdadeiro caminho de esquerda, dizia ele.

Volvidos cerca de 30 anos reencontrei Vítor Louro. Tinha abandonado o PC. Dizia que não havia luta possível. Entretanto eu tinha saído e reentrado no PS, convicto de que, apesar de tudo, este era e é o único espaço de esquerda onde o ideário está ajustado ao nosso tempo.

Há duas semanas, no XVI Congresso do Parido Socialista, tive a alegria de ver anunciado Vital Moreira como cabeça de lista do PS às europeias. Voltou-me a lembrança da Assembleia da República. Lá conheci as qualidades de incomparável tribuno de Vital Moreira e a sua enorme inteligência. Lá lamentei muitas vezes que homens como Vital Moreira, Vítor Louro, José Magalhães, Carlos Brito, Edgar Costa e mulheres como Cândida Ventura, Luiza Mesquita e Manuela Esteves, continuassem a lutar no campo inconsequente e irrealista duma esquerda desajustada no tempo e no modo, como é o PCP.

Entretanto conheci Carlos de Sousa. Independentemente do seu trabalho autárquico, questionável sobre diversos ângulos, sempre entendi que a sua prática e pensamento estavam desajustados do partido onde militava. Também saiu, após a humilhação de ser obrigado pelo seu partido a abandonar a mandato autárquico que tinha ganho com toda a legitimidade.

O PC vai perdendo os seus militantes mais qualificados e só estranho que alguns, bem perto de nós, não tenham tido até à data a clarividência que os leve à constatação de que a sua luta, naquele espaço, é estéril e desajustada do nosso tempo e da sua própria estrutura mental.

Pode ser que um dia destes tenham a coragem de abrir os olhos para a realidade.

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