Andava na escola, contava-se uma história do aluno cabulão que, indo à prova oral, não querendo estudar a matéria longa e difícil, apenas estudou a parte mais fácil, contando com a sorte possível de perguntas sobre a matéria estudada. Tal não aconteceu mas, indiferente às perguntas do júri, foi explanando o que tinha estudado consciente de que iria reprovar. Perplexo, viu que tinha passado e foi agradecer ao presidente do júri o benefício recebido. O presidente do júri, com bonomia respondeu: - Olha menino tu passaste por “ persistência na asneira “.
Esta história fez-me lembrar o trabalho camarário no nosso concelho. É que, também tem havido muita “ persistência na asneira “.
Um exemplo: - Há cerca de 4 anos, no Poceirão, fizeram-se obras grandes, caras e demoradas na escola do 1º ciclo. Custaram cerca de 600.000 euros.
A população, desconhecedora do projecto, julgava que a escola iria ter mais e melhores salas de aula. Engano seu. As obras apenas contemplaram espaços administrativos e uma pequena biblioteca. Isto apesar da Carta Educativa, em preparação, já prever a existência de um novo território educativo. Hoje, passados escassos 4 anos o executivo está a programar a construção de outra escola do 1º ciclo no Poceirão, para contemplar o que não se executou em devida altura.
Não são factos ocasionais. Em Cajados, depois de imensas obras na Escola, há pouquíssimos anos, está a ser construído um novo centro escolar.
Tudo isto deveria fazer repensar a programação de obras, tanto mais que estamos em época de vacas magras mas assim não é.
Na passada sessão de Câmara, com a abstenção do PS, foi aprovada a abertura de concurso para uma obra na escola de Brejos do Assa cujo custo base é de cerca de 210.000 euros, que apenas contempla áreas administrativas e um refeitório. Isto, numa escola que não tem salas de aula em número suficiente que permita o regime normal de funcionamento, entrada às 9 horas e saída às 15, nem as actividades de enriquecimento escolar a decorrer até às 17,30, horários que o Governo, e bem, está a implementar.
E, pasme-se, tudo isto contrariando um trabalho de planeamento que custou milhares de euros, que se chama Carta Educativa e preconiza para o local um centro escolar.
O PS, sendo a favor de tudo o que possa melhorar os equipamentos e proporcionar bem estar à comunidade escolar, não pode admitir que não haja planeamento ou, havendo-o, não se respeite, desperdiçando recursos, em obras de vida e eficácia curtas.
Confrontado com esta contradição e com a repetição duma mesma resolução pouco feliz, o executivo PC argumentou com escassez de verbas e espaços e incertezas no futuro, como se esses factores não fossem programáveis no tempo e no modo.
Se esta resolução fosse da Administração Central, não faltariam epítetos de má gestão, falta de planeamento e outros mimos do género.
Basta de contradições. À semelhança da história com que abri estas linhas, o PC não pode continuar a passar no exame eleitoral por “persistência na asneira “.
sábado, 1 de agosto de 2009
Persistência na Asneira (12-02-08)
Publicada por Braz Pinto à(s) 02:28
Etiquetas: Braz Pinto, Carta Educativa, Poceirão

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