quinta-feira, 30 de julho de 2009

Assimetrias e desenvolvimento sustentável

As palavras, por vezes, são como os vestidos femininos. Entram na moda, independentemente do seu significado real e são usadas em contextos desadequados.

É o caso das palavras sustentável e assimetria. Entraram na moda política e daí temos, “desenvolvimento sustentável”, “concelho sustentado”, “desenvolvimento assimétrico”, “combate às assimetrias”, etc.

A expressão “desenvolvimento sustentável” quer dizer que se desenvolve em harmonia, respeitando todas as vertentes e equilíbrios. Isto entendido num conceito quantitativo e qualitativo.

A expressão “assimetria” designa o contrário de simetria, desigualdade entre as metades, desequilíbrio quantitativo e qualitativo.

Daqui se pode tirar a conclusão que “desenvolvimento sustentável” é oposto de “desenvolvimento assimétrico”. As duas expressões não podem ser usadas em simultâneo se se verificar que um dos conceitos existe, na realidade.

Vem isto ao facto da governação comunista da autarquia de Palmela, desde há 31 anos, declarar publicamente, em pompa e circunstância, que Palmela é um concelho com desenvolvimento sustentado. Esta declaração é oca e vazia porquanto nunca conseguiu combater as assimetrias do concelho, antes as tem agravado ano a ano, dotando as freguesias mais desenvolvidas, Pinhal Novo, Palmela e Quinta do Anjo, com as fatias de Leão do investimento, em detrimento da Marateca e Poceirão que retiram as migalhas do banquete orçamental.

Não adiantam afirmações, qual poeira para os olhos, de que as realidades rurais são diferentes das urbanas. Na verdade, a poeira transformada em lama no inverno, que os munícipes destas freguesias recebem diariamente, parece atirá-los para a poeira do esquecimento duma maioria que governa com chavões vazios de conteúdo.

A realidade é que, mais uma vez, a soma dos investimentos a realizar nas freguesias da Marateca e Poceirão, é muito inferior ao de qualquer das outras freguesias. E não adianta dizer que há outros investimentos para alem dos constantes dos tão proclamados “Orçamentos Participativos”. Admiti-lo seria aceitar que aqueles orçamentos, apelidados de infinitamente democráticos, são panaceia para iludir os mais crédulos.

A realidade dos números é como o algodão – não engana.

No Orçamento para 2006, no que se refere a investimentos Poceirão tem 360.000 €, Marateca 980.000 €, Palmela 1.634.000 €, Quinta do Anjo 2.663.400 € e Pinhal Novo 1.568.300 €. É só fazer as contas – Poceirão e Marateca somam 1.340.000 € ou seja, menos que qualquer outra freguesia sozinha.

Mas não fica por aqui! No mesmo Orçamento e no que se refere à programação cultural, Pinhal Novo recebe 19.800 €, Palmela e Quinta do Anjo juntas 12890 € e Marateca e Poceirão juntas 4.050 €.

E digam lá que as assimetrias não são agudizadas todos os anos ?
E venha a maioria executiva proclamar o concelho com desenvolvimento sustentado !

Palavras, só palavras que estão na moda como os vestidos femininos !

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