sábado, 1 de agosto de 2009

Novos e Velhos Rumo II (11-07-08)

Numa edição anterior, falei da estratégia de desenvolvimento para o país baseada na nossa centralidade intercontinental que nos dá o papel, na Europa, de porta de entrada dos novos mundos desenvolvidos e de saída para os novos mundos em via de desenvolvimento. E, nesta centralidade, numa visão à escala do país, encaixa-se a centralidade do nosso concelho. Daí que tudo quanto se faça para o desenvolvimento desta estratégia passa e tem que ver com o nosso concelho, ele já transformado em encruzilhada de acessibilidades e charneira das duas metades de Portugal Continental.

A crise energética que não para mais e que se tenderá a agravar à medida que as reservas de combustível fóssil se forem aproximando do fim, obriga, por um lado à descoberta de novas soluções e, por outro ao retorno a velhas soluções hoje remoçadas e tornadas actuais. Assim, os transportes de carga marítimo e ferroviário tornaram-se mais económicos e, por ora, no caso do ferroviário, mais adaptável às energias alternativas e renováveis. Os transportes aéreo e ferroviário de alta velocidade vão tornar-se nos meios mais rápidos e baratos para a deslocação de passageiros e comunicação interna na Europa.

E aqui aparece Palmela. Já servida por vias rodoviárias e ferroviárias que a ligam ao triângulo portuário de Lisboa-Setúbal-Sines. Na proximidade de Lisboa capital e no meio-caminho entre esta e o novo aeroporto que, no futuro, a servirá. Na ligação entre as duas metades do país continental.

O desafio está lançado. Mais ou menos depressa, num modelo ou noutro, aparecerão a Plataforma Logística do Poceirão, o novo Aeroporto de Lisboa, o TGV, a Ponte Chelas Barreiro, o Metropolitano ao Sul do Tejo e com eles os empreendimentos turísticos, o desabrochamento das nossas riquezas vitivinícolas, o possível desenvolvimento das nossas potencialidades horto-frutícolas e dos artesanatos rurais do queijo, doçaria e enchidos. Tudo isto a par as indústrias já implantadas que estes futuros vão potenciar e desenvolver.

E qual é o papel da autarquia em tudo isto? Vai ser motor ou vai andar a reboque? Vai preparar planear e influenciar modelos de desenvolvimento urbanístico ou vai correr atrás de um urbanismo que não controla?

E qual o papel das forças políticas que podem governar a autarquia? Continuará um PC que vive da luta contra o poder e da exploração do descontentamento, numa visão conservadora de anti-mudança? Ou virá um PS, motor da mudança, sem esquecer as pessoas, numa economia social?

Já não falo do PSD que, tendo tido oportunidades nunca teve coragem política de romper com o conservadorismo, de afrontar descontentamentos conjunturais que as mudanças provocam.

O Povo dirá...Vamos ver.

José Braz Pinto

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