sábado, 1 de agosto de 2009

Novos e Velhos Rumos - I (11-07-08)

Há muitos anos...estávamos na década de 80, discutia-se mais uma vez, o futuro do desenvolvimento económico do país. O meu saudoso amigo César de Oliveira, eloquente deputado e óptimo autarca, afirmava acalorada e convictamente: “ Temos um país com potencialidades, temos bons trabalhadores com saberes que se podem desenvolver, temos empresários com ambição que querem ganhar dinheiro...só falta traçar estratégias de desenvolvimento. Defina-se o que devemos produzir, fazer e como, definam-se os mercados a conquistar e como, prepararem-se os agentes económicos e o país avançará ”.

Passaram-se os tempos. Veio o reinado do então Primeiro Ministro, Cavaco Silva. Tinha-se entrado na CEE pela mão de Mário Soares. Os subsídios europeus que inundavam o país e davam uma falsa sensação de abundância, permitiram, a par da realização do grande plano das auto-estradas, esbanjamentos em apoios fraudulentamente desviados para o pecúlio privado, com a passividade dos governantes. Simultaneamente fez-se uma pseudo formação que só proporcionou o enriquecimento dos promotores e formadores. Resumo: muito e mau investimento em acções só de âmbito doméstico.

Hoje, goste-se ou não, redefiniu-se uma estratégia de desenvolvimento para o país assente numa centralidade, secular como os descobrimentos mas sempre actual e real, num mundo onde a escassez energética obriga a descobrir novos caminhos que a globalização exige a todo o custo, com modernização e actualização constantes.

Depois de termos descoberto que éramos a porta de saída da Europa para a descoberta de novos mundos carreando para cá as suas matérias-primas, estamos a descobrir que somos a porta de entrada para esses mesmos mundos que entretanto tiveram um desenvolvimento que nos ultrapassou e querem descobrir o velho continente e trazer o produto desse desenvolvimento que não para. Tudo isto continuando a ser a porta de saída para os mundos que estão em vias de desenvolvimento.

Traçaram-se as linhas mestras: Planeamento logístico do país, actualização dos principais portos e acessibilidade dos mesmos, modernização das acessibilidades aéreas e ferroviárias transnacionais para fácil, rápida e económica ligação à Europa.

Tal como antigamente aparecem os “Velhos do Restêlo”, lançando dúvidas, atiçando descontentamentos, agora, dentro da democracia, explorando vias eleitoralistas.

O desafio está lançado e aqui importa pensar no papel do nosso concelho de Palmela mas, à falta de espaço e paciência dos leitores, deixarei esse assunto para outra edição.

A finalizar direi: César de Oliveira ouviram-te. Descobrimos a estratégia que pode aproveitar as potencialidades, saberes e ambições do nosso Portugal.

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